January 03, 2012

MDM exige esclarecimentos a edil de Nampula

Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em Nampula emitiu, ontem, uma carta a contestar e a exigir esclarecimento sobre o excessivo uso da força pela Polícia Municipal daquela cidade contra vendedores ambulantes e informais indefesos. Nessa carta, dirigida ao presidente do Conselho Municipal de Nampula, Castro Namuaca, assinada pelo seu delegado político provincial naquele ponto do país, Assane Rachid, o MDM relata que, constantemente, a polícia municipal tem vindo a praticar actos violentos, agressões físicas e até disparos de armas de guerra contra indefesos negociantes de pequena escala, com alguma incidência no espaço defronte da padaria Nampula, na avenida do trabalho e na estação do terminal de comboio de passageiros.
O MDM entende que esta actuação “é anti-constitucional”, na medida em que a lei-mãe consagra o direito de trabalho ao povo moçambicano e a acção destes vendedores informais é “uma promoção de auto-emprego”.

Vagas esgotaram no primeiro dia de matrículas na “3 de Fevereiro”

No entanto, outras escolas da cidade de Maputo estavam  às “moscas” até ao meio dia de ontem,  com poucos pais à procura de vagas para inscrever os seus filhos. Na “Lhanguene Piloto”, estavam ocupadas apenas quase 20% das 120 vagas disponíveis.
Continua hoje, segundo dia, o processo da realização das matrículas, em todas as escolas do país, com excepção da Escola Primária 3 de Fevereiro, na cidade de Maputo, que, no primeiro dia, viu as vagas para os novos ingressos da 1a classe esgotadas. Até por volta das 11h00, as pessoas que estavam na fila, dentre pais e encarregados de educação, já ultrapassavam as 130 vagas que este ano estavam disponíveis naquela escola.
Para assegurar vagas para os seus educandos, alguns pais e encarregados de educação tiveram que pernoitar no recinto escolar. Mas mesmo assim, face à enchente, até à retirada da nossa equipa de reportagem, não havia certeza de que alguns pais, apesar de terem passado a noite na escola, iriam conseguir inscrever os seus filhos. É que, para alguns pais, o processo não foi tanto quanto esperavam. “Cheguei aqui às 21h00 de ontem (anteontem), mas ainda não consegui inscrever a minha filha. Não sei se ainda vou a tempo, mas pelo menos já estou na fila. Já recebi o impresso”, disse um jovem identificado por josé David.
David diz lamentar o facto de algumas pessoas que chegaram um pouco mais tarde, (por volta das 09h00 de ontem), terem conseguido inscrever os seus filhos antes das pessoas que chegaram cedo. “Há muitas pessoas que chegaram às 09h00, mas já inscreveram os seus filhos. Nós ainda estamos na fila.”
Apesar disso, a directora da Escola Primária 3 de Fevereiro, Linda Elija, diz que o processo está a decorrer sem sobressaltos. Entretanto, reconhece que as vagas são poucas na sua escola, mas garante que a situação está controlada.
Enquanto na Escola Primária 3 de Fevereiro as vagas esgotaram logo às primeiras horas do primeiro dia, na “Lhanguene Piloto” o cenário é diferente. Ou seja, das 120 vagas existentes, o director pedagógico da escola, Sérgio Jamisse, disse que tinham sido preenchidos menos de 20 por cento.

Entrevista do David Simango

David Simango "acha" que foi a escolha certa de Maputo. Leiam a entrevista concedida ao Jornal "O Pais"  Aqui.

Manuel Araújo já está em funções

“Quelimane está liberto de corruptos, aldrabões e ladrões”, disse o novo edil da capital da Zambézia no seu discurso após tomar posse no dia 30 de Dezembro de 2011
Maputo (Quelimane) – O novo presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, tomou posse na sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011. Após ser investido prometeu “combater a corrupção” e “mudar a face de Quelimane”.
Quelimane é uma cidade esburacada, com ruas descuidadas, sobretudo as dos subúrbios; drenagem obstruída; falta de fontanários e de água em certos bairros; falta de condições para conservação de cadáveres antes das cerimónias fúnebres ou seja falta de uma casa mortuária com condições de frio; com funerais em valas comuns por os familiares dos falecidos não possuírem dinheiro para funerais condignos; falta de postos de saúde nos bairros para assistência a doentes de enfermidades ligeiras, falta de ambulâncias para assistência aos munícipes em casos de emergência sobretudo à noite; falta de divertimentos económicos para jovens, etc.
“Quelimane está liberto de corruptos, aldrabões e ladrões”, disse Manuel Araújo quando já estava investido.
Que fique claro que na cidade de Quelimane o que vai acontecer é continuidade do que a Frelimo fez, diria a certa altura da sua intervenção o governador da província da Zambézia, Itai Meque, vaiado de imediato pela população que compareceu em elevado número ao acto embora este tenha sido marcado e realizado sem grande margem de tempo para os vencedores do escrutínio se organizarem para festejar com pompa e circunstância.
Manuel Araújo do MDM é o primeiro candidato da oposição a chegar ao poder na cidade de Quelimane. Arrancou a edilidade à Frelimo que era poder desde que Moçambique está independente.
O mandato do novo edil da capital da Zambézia é de dois anos derivado do facto de ter sido eleito em escrutínio intercalar.
Em 2013 haverá eleições autárquicas regulares em todas as autarquias do País e o seu cargo será de novo submetido a sufrágio. Nas autárquicas regulares em 2013 serão eleitos os presidentes dos Conselhos Municipais e as assembleias municipais das 42 autarquias existentes, se até lá mais municípios não forem autarcisados.
As cidades da Beira, capital da província de Sofala, e de Quelimane, capital da província de Sofala, são os dois únicos municípios do país que não são governados pela Frelimo.
De onze capitais provinciais o MDM tem agora o controlo de duas, apesar de ser um partido criado em 2009.
No Município de Quelimane a Frelimo e a Renamo continuam a ser as duas únicas bancadas. A Frelimo é maioritária mas com uma ligeira margem de deputados. A Frelimo tem 21 e a Renamo 17 deputados.
O novo edil já foi deputado à Assembleia da República pela Renamo, na anterior legislatura. É agora do MDM, partido criado a três meses das últimas eleições gerais (2009) – presidenciais e legislativas, pouco depois de Afonso Dhlakama ter-se recusado a promover, a candidatura de Daviz Simango à sua sucessão como edil da Beira, cargo para que fora candidatado pela Renamo no anterior mandato. Simango viria a candidatar-se em 2008 como independente, proposto por uma grande ala da Renamo que se revoltou a 28 de Agosto desse ano. Ganhou e é agora presidente do município da Beira e presidente do MDM que patrocinou a candidatura de Manuel Araújo em Quelimane.
Manuel Araújo também foi excluído como candidato pela Renamo à renovação do seu mandato na Assembleia da República. Passou a dedicar-se aos negócios promovendo o maior investimento na área do turismo até agora promovido na Zambézia, em Sopinho, nas margens do Rio Namacurra, a norte da Praia de Zalala, no distrito de Nicoadala, vizinho do município de Quelimane.
Araújo é doutorado em Ciências Políticas por uma universidade britânica.
Pio Matos, da Frelimo, ao demitir-se suscitou as eleições intercalares, mas a assembleia municipal manteve-se e mantém-se em funções.
O candidato da Frelimo foi Lourenço Abu Bacar Bico.
No acto de posse do seu sucessor Manuel Araújo, do MDM, Pio Matos disse que o novo edil deve lembrar-se que é presidente de todos os munícipes de Quelimane e não apenas dos que votaram nele.
Ao prometer combater a corrupção Manuel Araújo não deixou explicito se estava a referir-se ao passado ou a eventuais práticas que possam ocorrer no Conselho Municipal durante o seu mandato.
Várias fontes confidenciaram ao Canalmoz que há um grande buraco nas contas do Município de Quelimane.
Manuel Araújo participou em duas Acções de Graças na noite de Sábado na Sé Catedral de Quelimane e na Missão de Coalane. No domingo, primeiro dia de 2012, o novo edil ofereceu enxovais a dois bebés que nasceram no Centro de Saúde de Coalane, na passagem do ano.
Por Bernardo Álvaro (CanalMoz, 03/01/2012)

August 18, 2011

Desabafo

REPASSANDO (isso é um desabafo de um professor ou professora,
editado e acrescentado de outras mazelas)

A PALAVRA DOS PROFESSORES

ALGUMAS DENÚNCIAS À POPULAÇÃO

SOBRE A REDE ESTADUAL DE ENSINO do RJ
APOIE NOSSA GREVE

(ainda que você não seja professor, aluno ou tenha filhos e parentes 

na ESCOLA ESTADUAL, mas você é o contribuinte, o que paga o imposto,
que passa muito longe da EDUCAÇÃO)


1) Consultorias, Compras, Aluguéis, Maquiagens de Escolas, isto não é investimento em educação, É APENAS CENÁRIO PARA FALCATRUAS.

2) Salário de R$ 700,00 do professor do Ensino Médio.


3) Concursados pedem exoneração após dois meses do ingresso,
pelo desrespeito que sofrem.


4) Aluguéis de aparelhos de ar condicionado (de R$ 700,00 a R$ 900,00
mensais), sem uso pois a carga elétrica nas escolas não suporta.
(E no inverno, o aluguel será pago também?)


5) Repasse da merenda (almoço, suco e sobremesa) é de R$ 0,40 por aluno.
Milagre! Aleluia!!! (O do presidiário é R$ 8,00 e do Restaurante Popular, R$ 1,00.)
A merenda não passa de um biscoitinho por dia. E ainda é superfaturada
por “empresas fornecedoras”. Com a cumplicidade de chefias que constrangem
os diretores a contratá-las.


6) “Otimização” (redução de custos): turmas com + 50 alunos
(máximo legal é de 35 por turma, Seeduc quer multidão na sala);


7) Fechamento de turmas para enxugar a máquina. Aí vão sobrar professores!!!
E resolver o problema crônico da FALTA DE PROFESSORES em sala de aula.


8) Fechamento de ESCOLAS. A Seeduc fechará 22 escolas do curso noturno.
Construirá escolas novas com a suposta ECONOMIA (otimização)? ERRADO!
Os alunos serão amontoados nas outras escolas (turmas de + de 50, lembra?).
Comprometendo o aprendizado, a saúde do professor, e em péssimas condições
de trabalho.


9) Só para lembrar: aluno da Comunidade A não pode ir para escola na
Comunidade B pois sofre perseguição, aí para de estudar.


10) Não há livro didático para todos os alunos, pede-se a complementação
e eles não chegam, e o ano letivo passa.


11) Escolas não são informatizadas, não têm sala de informática, as bibliotecas
são obsoletas, há só um projetor (datashow) por escola (mas nove microfones!),
quadras de esportes esburacadas. Enfim, uma estrutura arcaica e inoperante,
nada atraente para o aluno do mundo globalizado e interativo (?).


12) CONSULTORIAS PAGAS A OURO SEM OUVIR OS PROFISSIONAIS DA
EDUCAÇÃO. Não há discussões, não há fórum de debates. A solução do governo
para resolver o “problema da educação” é 
o pagamento caríssimo de 
"consultorias" com PLANOS MIRABOLANTES que enriquecem empresas que
tratam ESCOLA COMO FÁBRICA, ALUNO COMO MERCADORIA e a EDUCAÇÃO
COMO UM NEGÓCIO. A ISTO CHAMAM DE “OTIMIZAÇÃO”...


13) METAS para que as escolas (professores) ganhem um bônus ao final do ano.
Veja os critérios!

 Diretores de escolas têm que passar por processo questionável de
avaliação : Nota da prova, Perfil para a função e Entrevista... Ah, entendi!
Prova, perfil e entrevista: por estes dois últimos itens é feita a triagem
para aproveitar todos aqueles que disserem SIM ao “sistema”, e a tudo
que dele advir.

 Escola que tenha alunas grávidas perderão pontos na avaliação para as
ditas metas, como uma punição. Será que se resolve o problema social desta
forma? Na cabeça do governador SERGIO CABRAL, SIM. Já há diretores(as)
negando matrículas para gestantes. São os que cumprem tudo... lembra?

 Escola que tiver profissionais em licença de saúde também perderá pontos.
Não se pode mais ficar doente, fazer uma cirurgia, ser mãe, ou todo o corpo
docente será punido na avaliação.

 Escolas serão avaliadas de acordo com o desempenho dos alunos nas provas
de diagnósticos Saerj e Saerjinho, pois o governador quer saber ONDE ESTÁ
O ERRO (rsrsrsrsrs!) da Educação para NÃO DAR MAIS VEXAME nas provas
nacionais do IDEB, onde o Rio de Janeiro ficou em SEGUNDO LUGAR NA
FEDERAÇÃO... DE TRÁS PARA FRENTE! Piada, né? Não!!!!


Enfim, nós professores da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro contamos
com a sua compreensão na nossa Cruzada contra o governo Sérgio Cabral e para
o bem de todos. E pedimos o apoio à nossa justa e indignada greve.

Repasse ao máximo esta mensagem.

Ministério Público deduz acusação contra 12 funcionarios do sector da educação em Nampula

Além do “caso finanças”, mais um caso de desvio de cerca de cinco milhões de meticais na Electricidade de Moçambique corre os seus trâmites na 5ª secção criminal. Ao que tudo indica, o mesmo está na fase final de instrução contraditória e o julgamento poderá estar para breve.
O Ministério Público em Nampula já deduziu a acusação contra 12 funcionários do sector de educação naquela província. Trata-se de funcionários de diversos níveis, dos quais pontifica Orlando Rabucuane, chefe da repartição de execução orçamental na direcção provincial, além do director distrital de Educação de Murrupula. Os mesmos são indiciados de desvio de cerca de 11 milhões de meticais, ano passado.
Ao que a nossa equipa de reportagem apurou junto de fontes ligadas ao processo, o Ministério Público entende existir matéria suficiente para que os acusados respondam em juízo por crime de desvio de fundos do Estado, bem como pelo crime de falsificação de documentos. Sabe-se, também, que o Ministério Público se absteve de acusar três funcionários que inicialmente haviam sido arrolados.
Ainda de acordo com a fonte, o Ministério Público remeteu o processo ao Tribunal Judicial da província de Nampula em finais do mês passado, o qual nesta altura se encontra na 5a secção criminal, ostentando o número 39/2011/5ª secção, nas mãos da juíza Natércia Mendes, a mesma que muito recentemente julgou o caso de desvio de fundos na Autoridade Tributária de Moçambique.
De acordo com o advogado de defesa de um dos funcionários implicados no caso que se encontra em prisão preventiva, o tribunal está a notificar as partes interessadas.
Tribunal não se pronuncia
A nossa equipa de reportagem em Nampula tentou sem sucesso ouvir o tribunal, mais concretamente a juíza da causa, Natércia Mendes, no sentido de obter mais detalhes em torno deste processo que está a mexer com a província de Nampula, pois envolve uma rede tentacular espalhada por diversos distritos da província.

  • Fonte: Jornal O Pais, publicado no dia 18/08/2011

Os pães que os pés amassaram

PÃO! Esse enigmático alimento recomendado pela Organização Mundial de Saúde, segundo o qual as pessoas devem comer pelo menos 50 quilos por ano, é assunto hoje nesta coluna.
Ora, antes de descrever dois cenários desoladores  e que constituem autênticos atentados à saúde pública, permitam-me que faça uma síntese do historial do pão. É uma daquelas coisas de que falamos todos  os dias, comemos todos os dias, mas não  sabemos de onde vem e como surge.  Por exemplo, alguém saberá dizer, assim de chofre, por que é que salário se chama salário? Pois é, mas é assunto de conversa, de zanga em casa, de casamentos frustrados, de ranger de dentes, de satisfação, de euforias,  de guerras, de greves, enfim...
Mas, tratemos do pão, alimento resultado do cozimento de farinha com água e sal de cozinha. Foi produzido pela primeira vez  pelos povos que habitavam a região onde agora é a Suíça, precisamente nas aldeias palafitas, por volta do ano 10.000 a.C.
No antigo Egipto, fazia-se um pão semelhante ao que comemos hoje, que era até usado como salário (cá está mais uma referência a salário): camponeses ganhavam três pães e dois cântaros de cerveja (?!),   por cada dia de trabalho. O sistema de fabricação dos egípcios era muito simples: pedras moíam o trigo que, adicionado à agua, formava  uma massa mole. As padarias surgiram por volta  de 4.000 a.C em Jerusalém, após o contacto com os egípcios, com quem aprenderam a fabricação e obtiveram a receita.
Todo este historial demonstra que efectivamente a importância do pão é antiga. Remonta de outros tempos até aos dias de hoje. A sua importância é sustentada pela sua rápida cozedura, pouco onerosa, valor nutritivo e, sobretudo, pelo seu sabor peculiar. Produção simples e eficaz. Quase toda a gente come e gosta de pão. Pode-se comer a acompanhar e acompanhado de tudo. Famílias de baixo rendimento adoptam o pão como o seu alimento diário. Apesar de o seu custo nos tempos que correm assumir subidas vertiginosas tornando o seu consumo quase que proibitivo.
Vejamos então estes dois cenários, que prefiguram autênticos e arrepiantes casos de contra sensu:
Primeiro cenário. Uma pastelaria algures na Avenida Mao Tsé Tung. Local de paragem obrigatória quando levo o jovem Clayton, meu filho, à escola. É onde compro o seu  lanche. Religiosamente. O miúdo chama-me à atenção para o que considerou anormal. Jovens empregados carregam pão da pastelaria para uma carrinha de caixa aberta, depositando-o directamente no chão do veículo. Ficámos ainda algum tempo para ver no que dava aquele sinistro e inusitado carregamento. O pão transbordava pelo carro fora. Acto contínuo, aquela rapaziada, que transpirava por todos os poros, encaixou-se na bagageira, posicionou os pés por entre os pães. O sinal de partida, um estridente assobio, foi dado. A camioneta ronronou, tossiu nervosamente e arrancou. Expelindo fumaça por todos os cantos. Os seus ocupantes conversavam despreocupados. Indiferentes aos olhares reprovadores dos transeuntes.   
Sosseguei o miúdo.
Aquilo não podia ser pão para consumo humano. Era de certeza pão estragado. Pronto para a lixeira nas bandas do Hulene. Mas, por via de dúvidas, vestimos a pele de agentes secretos, tipo James Bond, e lá seguimos o veículo.
Espanto dos espantos! Sacrilégio. Aquela carrinha estava a fazer distribuição em postos de venda de pão. Todos os intervenientes, o dono da pastelaria, os rapazes carregadores, o motorista, os homens dos postos de venda, todos,  estavam seguros de que nada estava errado.
Transportar pão em carrinha aberta, pisá-lo e transpirar sobre ele, é tudo normal.
Ficámos, eu e o Clayton, quedos e mudos, não havia mais nada a dizer.
Riscámos definitivamente aquele lugar, para a compra do que quer que seja. Onde o conceito de higiene básica não existe. Aquele lugar de pasto não presta.
Segundo cenário. Mesma história, local e protagonistas diferentes.
Quem conhece Catembe sabe que asfalto não prefigura no dicionário dos seus habitantes e que poeira é referência obrigatória do habitat por aquelas bandas.
O gestor de uma das padarias (são apenas duas), julgo que movido por boas intenções, entendeu que é mais fácil ir ao encontro dos clientes e vai daí  resolveu transportar pão numa carrinha com um pequeno atrelado aberto para venda ambulante de pão. Aquele atrelado poderá eventualmente servir para tudo: transportar caprinos, suínos, etc, mas pão?!...convenhamos! É mais uma daquelas coisas que um ser humano pensante se recusa a aceitar como normal. Pão, poeira e mãos sujas. Continuamos, teimosamente, a pautar por atitudes contra natura, atentando contra a saúde pública, e, pior, banalizamos um importante, histórico, misterioso e... bíblico alimento.
Enfim.
Shaloom!

         Por: Leonel Magaia
  • Fonte: Jornal Noticias, Quinta-Feira, 18 de Agosto de 2011